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sábado, 6 de agosto de 2011

O episódio: "A grande batata" da Família Dinossauro e a reflexão sobre a origem do vida

Esse episódio da Família Dinossauro conhecido como "A grande batata", cujo título original é "A maior história jamais vendida / The Greatest Story Ever Sold". Retrata de forma sarcástica uma das questões fundamentais da humanidade: A origem da vida. Com uma pitada de humor, o episódio desenvolve uma crítica ferrenha aos modelos religiosos vigentes em nossa sociedade.

Vale a pena assitir!


domingo, 3 de julho de 2011

O NOME DA ROSA

CONTEÚDO DIDÁTICO: FILOSOFIA, RELIGIÃO, HISTÓRIA E SOCIOLOGIA -
FILOSOFIA: NOMINALISMO, A POÉTICA DE ARISTÓTELES A FILOSOFIA MEDIEVAL. HISTÓRIA: IDADE MÉDIA, INDEX (LIVROS PROIBIDOS).

Dados do Arquivo:
País de Origem:  Alemanha, França e Itália
Gênero:  Suspense/Drama
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento:  1986
Formato: Avi
Qualidade: DVD.Rip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Direção: Jean-Jacques Annaud
Elenco 
Sean Connery, Christian Slater, Helmut Qualtinger, Elya Baskin

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SINOPSE:
Passado numa abadia italiana em 1327, O Nome da Rosa decorre durante ‘o cativeiro Babilônico’, um período de 70 anos durante o qual os papas eram franceses e a Santa Sé foi transferida de Roma para Avignon. Neste tempo de imenso rebuliço, as ordens monásticas competiam por influência temporal e espiritual. Algumas ordens foram declaradas como heréticas e os julgamentos eclesiásticos por heresia reflectiam a luta pelo poder e os conflitos filosóficos muito reais. Os imperadores italiano, francês e alemão competiam pela dominação política e as relações muitas vezes hostis no seio do papado, ordens religiosas e vários imperadores faziam da vida monástica uma vida pouco tranquila. Quando William de Baskerville é enviado a uma abadia para investigar acusações de heresia, ele e um noviço, que é o narrador da história, devem também investigar uma série de assassinatos, um por dia durante a semana em que William está presente. William acredita que estes assassinatos estão relacionados com as filosofias ‘heréticas’ e práticas religiosas escondidas às quais alguns monges estão apaixonadamente dedicados. Alguns destes usualmente pios monges ganharam ao longo dos anos o controle da vasta biblioteca da abadia, e assim controlavam o acesso ao conhecimento. A biblioteca, construída como um labirinto com os livros organizados segundo um plano secreto, está fora de limites para William. Acreditando que as mortes na abadia estão de algum modo relacionadas com heresias e com livros misteriosos escondidos na biblioteca, William tem de investigar secretamente, sendo a sua investigação simultaneamente filosófica bem como uma procura pelo assassino ou assassinos. Eco cria um mistério extraordinariamente complexo e excitante que serve de moldura a um retrato profundo da vida monástica no século XIV. A sua habilidade na criação da atmosfera e das duas personagens de William e do seu noviço permitem ao leitor um vislumbre do que a vida monástica deve ter sido há cerca de 700 anos. Todos os conflitos europeus do período vêm à tona e o leitor sente o seu efeito esmagador sobre a vida quotidiana dos homens dedicados à igreja mas lutando com assuntos privados de pecado e culpa.



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CONTEÚDO RELACIONADO


Nascido para Matar


CONTEÚDO DIDÁTICO:  HISTÓRIA - GUERRA DO VIETNÃ

Dados do Arquivo:
País de Origem:  EUA
Gênero: Drama/Guerra
Tempo de Duração: 116 minutos
Ano de Lançamento:  1957
Formato: RMVB
Qualidade:
Áudio: Português
Legenda: Sem Legenda
Direção: Stanley Kubrick
Elenco
 
Matthew Modine, Adam Baldwin, Vincent D'Onofrio, R. Lee Ermey.



ASSISTA AO TRAILER

Sinopse:
O filme de Kubrick, Nascido para Matar, mostra como o processo de desenrola, desde a preparação dos soldados à guerra em si. Na primeira parte, a recruta, existe um esvaziamento progressivo do pensamento e da individualidade, até que aconteçam duas coisas: a mecanização total da atitude e do corpo, e a selecção natural dos mais aptos para o combate. Os recrutas aprendem a viver em benefício de uma entidade abstracta, os Fuzileiros, que serve outra mais distante mas sempre presente: a Pátria. A segunda, na obra de Kubrick, está apenas subentendida. Durante o tempo de aprendizagem, os homens, que antes da chegarem ao quartel são apenas indivíduos entregues a um desejo difuso e sem objectivos, aprendem dolorosamente a pertencer a um grupo, a uma irmandade em que cada membro tem de se dispôr a sacrificar a sua vontade em prol do seu companheiro, primeiro, e da missão que lhes é imposta, em última medida, pelo Estado, depois. Neste estágio da sua aprendizagem, os recrutas aprendem a esquecer o caos que o desejo individual produz. Deste caos, nasce a ordem, uma perfeita geometria da obediência a um poder que emana de um lugar distante dos soldados. A câmara manobrada por Kubrick, na primeira parte, filma com um rigor maníaco esta regularização do indivíduo. Tudo é limpo, tudo é regulado, tudo se torna mecanizado. A parada, a apresentação das armas, a limpeza das botas, a arrumação das camaratas. O recruta Pyle (excelente Vincent D'Onofrio) é o único que resiste à aprendizagem do colectivismo. Um dos pecados capitais, a gula, é o símbolo desta resistência. Quando finalmente Pyle cede percebemos que é tarde demais. E que a submissão é demasiado verdadeira. Ele entrega-se de alma ao mecanismo repressor, e nesse passo coloca-se além de qualquer razão. É que a entrega não pode ser total. O cínico Joker (Mathew Modine) explica como se faz. Fingindo a obediência, consegue ainda salvar a réstea necessária de sanidade que lhe permite sobreviver à experiência da recruta e depois à guerra.
Este cinismo de Joker é depois transportado para a segunda parte do filme, onde a ordem programada se transforma em caos absoluto. Nada pode preparar os soldados para o que sucede numa situação de guerra, espelho distorcido da simulação recriada em casa. A destreza dos soldados nada significa quando o inimigo joga na imprevisibilidade e na improvisação de situações. Kubrick coloca-se atrás dos soldados em patrulha e consegue filmar a perfeita aleatoriedade de uma situação de combate. As regras a que os soldados se submeteram durante a recruta deixam de fazer sentido e eles têm de se socorrer novamente dos seus instintos primitivos. Depois de programados, esses instintos podem ser redirecionados e usados da maneira correcta, concorrendo para o bem comum: dos companheiros, do oficial superior, em última análise da Pátria.
Haverá diferenças entre o soldado que cumpre ordens e o bombista suicida que se sacrifica?

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ANÁLISE DO FILME


AGuerra do Vietnã, que teve início em 1959, terminou em 1975, e no final da mesma década o diretor Francis Ford Coppola realizou uma de suas grandes obras -primas, Apocalypse Now, ambientalizada neste período histórico, assim como , realizado um ano antes. Pode-se dizer que Nascido para Matar veio um pouco tarde. Veio até mesmo, depois de Platoon, que trouxe grande repercursão na época. Kubrick então, resolveu não fazer apenas mais um filme com cenas de ação e tiroteiro, e trouxe mais uma faceta do mundo dos soldados de Infantaria do exército americano, debatendo sobre o horror e as conseqüências psicológicas causadas pela Guerra. 



Quem assistiu Apocalypse Now ou os outros filmes citados, não vá pensando que ao assistir Nascido para Matar encontrará as mesma tomadas de ação alucinante, até porque isso é o que menos importa no filme. Claro que, Kubrick não abriu mão das cenas de ação, até porque, são exatamente em algumas delas que o diretor traz as suas polêmicas, e que por sinal não comprometem o filme em nada, afinal, é um filme de Kubrick, e as cenas de ação além de deixar o espectador ansioso, o faz pensar. E é essa toda a importância do filme. Um exemplo disso, é o início da projeção até mais ou menos seus 30 minutos. Se Kubrick terminasse o filme ali, como uma média ou um curta-metragem, não ficaria devendo nada, até porque são os melhores momentos do filme. 


Nessa parte do filme, está o melhor estudo de personagem em meio a Guerra que o cinema já viu. Kubrick Começa o filme mostrando como a "carreira" dentro do exército começa. Um bando de jovens sem a menor noção de onde estão ou o que estão fazendo, acabaram de se alistar no Exército Americano. O título original do filme, Full metal jacket, que seria o nome de uma munição revestida por chumbo usada na Guerra, foi felizmente trocado pelo título Nascido para Matar, que traz exatamente o que o diretor queria dizer. Dessa vez eles acertaram. Uma das coisas mais legais é que o diretor não usou atores conhecidos. Praticamente todo o elenco é novato, e conseguiram dar um show. Até o olhar penetrante dos vândalos de Laranja Mecânica e deJack Torrance (O Iluminado), Kubrick usou com alguns dos personagens. E desta, através deste olhar, mostrando a loucura psicológica que a Guerra pode causar.


- Entenderam, vermes?
- Sim, senhor!
- Uma porra, eu não estou ouvindo!
- Sim, senhor!
- Qual o seu nome, seu bosta?
- Soldado Brown, senhor!
O caralho, agora se chama soldado Bola-de-Neve. Gostou do nome?
- Sim, senhor!

Se tem algo que admiro no Kubkick é a sua forma descarada e sem medo, de apresentar suas críticas. E desta vez é sobre como são "fabricados" os soldados nos EUA. O filme já se inicia com a pressão psicológica pelas quais os jovens recrutas passam nas mãos do Sargento Hitman (deve ter sido uma das inspirações do Capitão Nascimento), interpretado maravilhosamente bem por R. Lee Ermey. São xingados de tudo quanto é nome, agredidos fisicamente, obrigados a passar por um rigoroso treinamento físico, são desacreditados, são treinados pra serem destemidos, e para serem os "fodões" até provarem que se tornaram máquinas de matar. Cenas estas, que se tornam até engraçadas, mas que em dado momento paramos e nos perguntamos porque estamos rindo de algo tão sério. E logo na cena final desta primeira parte, mostra toda uma conseqüência, fechando um estudo de personagem impecável que o diretor criou.

- É você, John Wayne? Sou eu?
Quem disse isso? Quem disse isso, porra? Quem é o viado chupeteiro comunista que acaba de assinar sua pena de morte? Ninguém, hein? Foi a puta da fada madrinha! Maravilha! Eu os farei treinar Até morrerem!
Até a bunda de vocês virar manteiga!
- Foi você, seu merdinha?
- Não, senhor!
Seu merdinha, você parece um verme!
Aposto que foi você!

A segunda parte do filme é mais um alívio emocional e Kubrick nos leva ao combate, com o personagem Joker, que se tornou Soldado e está trabalhando na equipe de jornalismo do Exército. E é ai que o roteiro genial de Kubkick entra em ação. Roterio esse que obteve a única indição do filme ao Oscar. A Academia odeia o diretor, só pode. Percebam os diálogos entre os soldados e as sacadas geniais de Kubrick nesta segunda parte do longa. Só pra citar um exemplo, a cena em que Joker tenta explicar para o sargento o porque tem um capacete com a frase "Burn to Kill" e no seu peito tem um broche da paz. Ele diz que representa a dualidade do homem. E é na cena final que Kubrick termina o filme deixando o mais profundo debate. Ele deixa a peteca na mão de Joker, o personagem que tanto falava sobre a dualidade do homem. De que lado ele devia estar naquele momento? Kubrick, movimenta a câmera, escondendo o broche da paz e deixando visível apenas o capacete "Burn to Kill".

Vemos que o homem tem a suas escolhas e que ninguém nasce mau ou bom. Aprendemos a ser de qualquer jeito através da sociedade. E o que a guerra significou para esses soldados, foi apenas como aprenderam a ser desumanos. Os soldados têm a opção de deixar viver ou não alguma pessoa, mas é o modo como foram "criados" que determinará a sua escolha. Kubrick não desceria tanto o nível, para criar apenas mais um filme de Guerra. Até mesmo a Disney ele provocou, quando colocou a Trilha do Clube do Mickey Mouse na cena final com as tropas marchando. Nascido para Matar é mais uma Obra-Prima da filmografia invejável do diretor.


Fonte: http://retrato-auto.blogspot.com/2006/07/nascido-para-matar.html
          http://www.cineplayers.com/comentario.php?id=30145

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sétimo Selo

CONTEÚDO DIDÁTICO: FILOSOFIA E HISTÓRIA - CRISE NO SISTEMA FEUDAL, EXISTENCIALISMO, HEIDEGGER, ALBERT CAMUS.

Dados do Arquivo:
País de Origem:  Suécia
Gênero: Drama/Fantasia
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento:  1957
Formato: AVI
Qualidade: DVD Rip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Direção: Ingmar Bergman
Elenco
 Max Von Sydow, Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe.

Sinopse:
Após dez anos de combate nas Cruzadas, um cavaleiro retorna ao seu país, encontrando-o devastado pela Peste Negra. Em sua nova luta contra a Peste, o cavaleiro pede uma trégua, durante a qual ele jogará uma partida de xadrez com a Morte. Sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Jons, o cavaleiro depara-se então com a morte, através da fome e da peste. Suas dúvidas e tormentos só são aliviados quando conhece Jof e Mia, um ingênuo casal de saltimbancos.

Assista ao trailer

CONTEXTO HISTÓRICO

O século XIV assinala o apogeu da crise do sistema feudal, representada pelo trinômio "guerra, peste e fome", que juntamente com a morte, compõem simbolicamente os "quatro cavaleiros do apocalipse" no final da Idade Média.

Inicialmente, a decadência do feudalismo resulta de problemas estruturais, quando no século XI, a elevada densidade demográfico na Europa, determinou a necessidade de crescimento na produção de alimentos, levando os senhores feudais aumentarem a exploração sobre os servos, que iniciaram uma série de revoltas e fugas, agravando a crise já existente.

As cruzadas entre os séculos XI e XIII representaram um outro revés para o sistema feudal, já que seus objetivos mais imediatos não foram alcançados: Jerusalém não foi reconquistada pelos cristãos, o cristianismo não foi reunificado, e a crise feudal não foi sequer minimizada, já que a reabertura do mar Mediterrâneo promoveu o crescimento de relações econômicas mais dinâmicas, representadas pelo Renascimento Comercial e Urbano, que já contextualizam o "pré-capitalismo", na passagem da Idade Média para Moderna.
O trinômio "guerra, peste e fome", que marcou o século XIV, afetou tanto o feudalismo decadente, como o capitalismo nascente. A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra devastou grande parte da Europa ocidental, enquanto que a "peste negra" eliminou cerca de 1/3 da população européia. A destruição dos campos, assolando plantações e rebanhos, trouxe a fome e a morte.
Nesse contexto de transição do feudalismo para o capitalismo, além do desenvolvimento do comércio monetário, notamos transformações sociais, com a projeção da burguesia, políticas com a formação das monarquias nacionais, culturais com o antropocentrismo e racionalismo renascentistas, e até religiosas com a Reforma Protestante e a Contra Reforma.
Insere-se ainda nessa mesma conjuntura, o início do processo de expansão ultramarina, que abrirá os horizontes comerciais para os Estados europeus fortalecendo tanto a burguesia nascente, como os monarcas absolutistas a ela aliados nesse momento.




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A EXISTÊNCIA: SER E TEMPO NA OBRA DE BERGMAN




Foi com O Sétimo Selo que o diretor sueco ganhou fama internacional. O filme foi o principal responsável pela recuperação, para o cinema sueco, e fez um total de 54 filmes, 39 peças para o radio e 126 produções teatrais, onde seus temas principais eram Deus, a Morte, a vida, o amor, a solidão, o universo feminino e as relações humanas, principalmente entre os casais.
Ernst Ingmar Bergman (Uppsala, 14 de julho de 1918 — Fårö, 30 de julho de 2007) foi um dramaturgo e cineasta sueco. Estudou na Universidade de Estocolmo, onde se interessou por teatro e, mais tarde, por cinema. Iniciou a carreira em 1941, escrevendo a peça teatral "Morte de Kasper". Em 1944, desenvolveu o primeiro argumento para o filme "Hets". Realizou o primeiro filme em 1945, "Kris".
Somente após o sucesso de “Sorrisos de uma noite de amor” que Ingmar obteve permissão para filmá-lo. Bergman disse em uma entrevista "Foi baratíssimo e muito simples", mas na biografia critica de Peter Cowie, a origem de O Sétimo Selo é tratada de modo a aparecer um pouco menos simples. Cowie diz que a peça original é um ato para dez estudantes, entre eles Gunnar Bjornstrand, e foi levada a cena pelo próprio Bergman em 1955. Mas a encenação que arrebatou a critica ocorreu em setembro do mesmo ano quando um outro elenco, que contava com a presença de Bibi Anderson dessa vez, representou no Teatro Dramático Real de Estocolmo, sob a direção de Bengt Ekerot (ator e diretor renomado que interpretou a Morte em O Sétimo Selo). Apenas alguns elementos foram aproveitados no roteiro final do filme: o medo da peste, a queima da feiticeira, a Dança da Morte. Mas a partida de xadrez entre a Morte e o Cavaleiro não havia, e, nem existia o artístico-bufanesco "santo casal" Jof e Mia com seu bebê. Somente Jons, o Escudeiro, não sofreu mudanças. A parte técnica do filme “O Sétimo selo” é de extrema perfeição devido a grande experiência que Bergman tinha sobre cenário, atuação e fotografia.


Para a análise me apropriarei do pensamento da filosofia existencial. A proposta do existencialismo é a de entender como especulação filosófica que visa a análise minuciosa da experiência humana em todos os seus, mas acima de tudo dos aspectos irracionais da existência humana. Encontramos as origens do Existencialismo em Sören Aabye Kierkegaard (Copenhague, 5 de Maio de 1813 — Copenhague, 11 de Novembro de 1855). Foi de grande importância para o filósofo Heidegger (Meßkirch, 26 de Setembro de 1889 — Friburgo, 26 de Maio de 1976). Esta linha filosófica é de grande utilidade para decifrar os aspectos filosóficos do filme de Bergeman.


A história é simples. Um Cavaleiro e seu Escudeiro voltam das Cruzadas. O país está assolado pela peste. Eles se encontram com a Morte e o Cavaleiro faz um trato com ela: enquanto conseguir contê-la numa partida de xadrez, sua vida será poupada. Na viagem pela terra natal, encontram artistas, fanáticos, ladrões, patifes, mas por toda parte a presença da Morte, empenhada em ganhar o jogo por meios lícitos e ilícitos. A cena de abertura dá o tom: antes de qualquer imagem a música começa solene Dies Irae ("Dia da Ira" é um famoso hino, em latim, do século XIII. Pensa-se que foi escrito por Tomás de Celano). O passar das nuvens e a música dão o tom do drama bergmaniano.





Neste filme, o tema da existência (existenz) é preponderante, temos vários conceitos-imagem para ser trabalhado nesta belíssima obra filosófica que discute a angústia, o desespero e a a sua finitude. No filme, a morte está sempre presente, tentando seduzir o cavaleiro, como se ela fizesse parte da própria angustia do cavaleiro. Ela é a lembrança da mortalidade, da temporalidade e inconstância das coisas. Há uma grande batalha entre o cavaleiro e a morte, esta batalha está representada no jogo da xadrez a imagem mais importante do filme.


Ao fundo, temos como cenário o mar, o mar simboliza esta temporalidade, há uma dialética existencial por trás das ondas. Diante da sua própria condição o cavaleiro se encontra no paradigma da angústia O com que a angústia se angustia não é nenhum ente intramundano.





Na angústia, diz-nos Heidegger, acompanhando Kierkegaard, o que nos ameaça não está em parte alguma. Não estando em parte alguma, a ameaça entretém relação com algo que não é intramundano” [...] É afinal o Dasein mesmo que nos angustia, porque já sem a proteção do cotidiano, revelando-se, então, nesse sentimento; o poder-ser livre, a possibilidade de escolha [...] (NUNES, 2004, p.19).







Ela se angustia com o ser no mundo, ou seja, inserido com e no mundo, que é algo completamente indeterminado. Para a angústia, o que ameaça não se encontra em lugar algum. “Lugar algum” diz respeito à abertura de mundo, e mundo é o que se abre e se encontra sempre presente, mas em lugar algum, é o nada. Esta é a grande luta que o homem trava consigo mesmo, diante do mundo, que aparece caótico, ele se depara com sua própria existência e sua condição de mortalidade. Para Heidgger, a angústia encontra-se diante de duas percepções do não-ser: o antes do nascer e o depois de morrer. Bem diversa do medo comum e da ansiedade neurótica, a angústia existencial não degrada o homem. Antes, exalta-o, enobrece-o, porque decorre de sua consciência de estar-no-mundo e de sua liberdade de poder-ser, ou deixar-de-ser.


Enquanto possibilidade de ser da pre-sença(*), a angústia, junto com a própria pre-sença que nela se abre, oferece o solo fenomenal para a apreensão explícita da totalidade originária da pre-sença. Esse ser desentranha-se como cura (HEIDEGGER, 1988, p. 245).




Ela é a voz, que emerge de sua consciência moral, para recordar-lhe, retrospectivamente, a culpa, e prospectivamente, a morte, esse grande mistério jamais decifrado, diante do qual impõe-se a responsabilidade da realização de seus projetos, livremente escolhidos.
Ou seja, o filme pode ser entendido como a jornada do homem como um lançado no mundo, diante de sua condição humana é o ser diante do tempo. Quando o homem toma consciência dessa existência ele pode tomar sua própria vida e sua liberdade, na verdade o homem quando nasce já se torna um ser para a morte, um ser para a totalidade, portanto, para sua finitude.

MATERIAL COMPLEMENTAR
(CLIQUE PARA ACESSAR)

O SÉTIMO SELO DE BERGMAN E O ESTRANGEIRO DE CAMUS: OS MATIZES DA FINITUDE.





___________________________________
*Pre-sença é tradução brasileira para Dasein.


HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Parte II. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Coleção Pensamento Humano, Petrópolis: Vozes, 1989, 340p.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Parte I. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Coleção pensamento Humano, Petrópolis: Vozes, 1988, 328p.
Kierkegaard, Soren. O conceito de angústia. Tradução de Eduardo Nunes Fonseca e Torrieri Guimarães. Hemos, 2007.

Filmografia:
Det Sjunde Inseglet O Sétimo Selo. Ingmar Bergman. Suécia.1956. 96 minutos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

THE WALL


CONTEÚDO DIDÁTICO: HISTÓRIA, ARTE - 2º GUERRA MUNDIAL

Dados do Arquivo:
País de Origem:  Inglaterra
Gênero:  Musical/Guerra/Drama
Tempo de Duração: 95 minutos
Ano de Lançamento:  1982
Formato: AVI
Qualidade: DVD Rip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Direção:  Alan Parker
Elenco: Bob Geldof, James Laurenson, Eleanor David, Kevin McKeon.

Clique para assistir

Sinopse:
The Wall é realizado por Alan Parker, escrito por Roger Waters e pode datar da data que lhe apetecer pela sua inevitável actualidade. Conta estórias da História: da guerra chegam papéis dourados com desculpas, condolências e agradecimentos. Só um remetente: o país. Sempre do país. Sempre a pátria. Sempre à frente e nunca à esquerda, afastada: para que se possam ver coisas e as coisas-pessoas de que(m) temos saudades. A estória da História contada em The Wall passa-se depois da bala, depois das explosões. Quando a mãe já está sozinha. E mais sozinho o filho: Pink, porque deixou de o ser. Mais sozinho por não o conhecer. Quando o pai já desapareceu. A mãe é super-protectora e o sistema educativo repressivo: a pátria nunca à esquerda. Pink cresce em múltiplas psicoses. Vive no espaço que é rodeado pelo muro que ele próprio pariu. O muro que ele próprio faz crescer. Vê pedaços de madeira – a boiar no mar preto: fundo – na poesia e na música. Transforma-se, previsivelmente, num músico de sucesso e aumenta o número de tijolos do muro: com a fama e as drogas. Pink Floyd: The Wall é um musical, em nada parecido com os mais recentes Moulin Rouge!, Chicago, ou O Fantasma da Ópera. Em The Wall há a quase ausência de diálogo, que quando presente não é cantado. Há sim um brilhante narrador: Pink Floyd. Para a qualidade da música, as mesmas duas palavras. E mais duas: Michael Kamen. A câmera do sr. Alan Parker tem toda a liberdade. Faz o que lhe apetece. Contudo, nunca nos leva a lugares inóspitos (entenda-se: desinteressantes). Gerald Scarfe foi o responsável pela animação que encaixa perfeitamente com o resto do filme.



Clique no ícone para baixar o filme



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