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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sétimo Selo

CONTEÚDO DIDÁTICO: FILOSOFIA E HISTÓRIA - CRISE NO SISTEMA FEUDAL, EXISTENCIALISMO, HEIDEGGER, ALBERT CAMUS.

Dados do Arquivo:
País de Origem:  Suécia
Gênero: Drama/Fantasia
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento:  1957
Formato: AVI
Qualidade: DVD Rip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Direção: Ingmar Bergman
Elenco
 Max Von Sydow, Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe.

Sinopse:
Após dez anos de combate nas Cruzadas, um cavaleiro retorna ao seu país, encontrando-o devastado pela Peste Negra. Em sua nova luta contra a Peste, o cavaleiro pede uma trégua, durante a qual ele jogará uma partida de xadrez com a Morte. Sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Jons, o cavaleiro depara-se então com a morte, através da fome e da peste. Suas dúvidas e tormentos só são aliviados quando conhece Jof e Mia, um ingênuo casal de saltimbancos.

Assista ao trailer

CONTEXTO HISTÓRICO

O século XIV assinala o apogeu da crise do sistema feudal, representada pelo trinômio "guerra, peste e fome", que juntamente com a morte, compõem simbolicamente os "quatro cavaleiros do apocalipse" no final da Idade Média.

Inicialmente, a decadência do feudalismo resulta de problemas estruturais, quando no século XI, a elevada densidade demográfico na Europa, determinou a necessidade de crescimento na produção de alimentos, levando os senhores feudais aumentarem a exploração sobre os servos, que iniciaram uma série de revoltas e fugas, agravando a crise já existente.

As cruzadas entre os séculos XI e XIII representaram um outro revés para o sistema feudal, já que seus objetivos mais imediatos não foram alcançados: Jerusalém não foi reconquistada pelos cristãos, o cristianismo não foi reunificado, e a crise feudal não foi sequer minimizada, já que a reabertura do mar Mediterrâneo promoveu o crescimento de relações econômicas mais dinâmicas, representadas pelo Renascimento Comercial e Urbano, que já contextualizam o "pré-capitalismo", na passagem da Idade Média para Moderna.
O trinômio "guerra, peste e fome", que marcou o século XIV, afetou tanto o feudalismo decadente, como o capitalismo nascente. A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra devastou grande parte da Europa ocidental, enquanto que a "peste negra" eliminou cerca de 1/3 da população européia. A destruição dos campos, assolando plantações e rebanhos, trouxe a fome e a morte.
Nesse contexto de transição do feudalismo para o capitalismo, além do desenvolvimento do comércio monetário, notamos transformações sociais, com a projeção da burguesia, políticas com a formação das monarquias nacionais, culturais com o antropocentrismo e racionalismo renascentistas, e até religiosas com a Reforma Protestante e a Contra Reforma.
Insere-se ainda nessa mesma conjuntura, o início do processo de expansão ultramarina, que abrirá os horizontes comerciais para os Estados europeus fortalecendo tanto a burguesia nascente, como os monarcas absolutistas a ela aliados nesse momento.




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A EXISTÊNCIA: SER E TEMPO NA OBRA DE BERGMAN




Foi com O Sétimo Selo que o diretor sueco ganhou fama internacional. O filme foi o principal responsável pela recuperação, para o cinema sueco, e fez um total de 54 filmes, 39 peças para o radio e 126 produções teatrais, onde seus temas principais eram Deus, a Morte, a vida, o amor, a solidão, o universo feminino e as relações humanas, principalmente entre os casais.
Ernst Ingmar Bergman (Uppsala, 14 de julho de 1918 — Fårö, 30 de julho de 2007) foi um dramaturgo e cineasta sueco. Estudou na Universidade de Estocolmo, onde se interessou por teatro e, mais tarde, por cinema. Iniciou a carreira em 1941, escrevendo a peça teatral "Morte de Kasper". Em 1944, desenvolveu o primeiro argumento para o filme "Hets". Realizou o primeiro filme em 1945, "Kris".
Somente após o sucesso de “Sorrisos de uma noite de amor” que Ingmar obteve permissão para filmá-lo. Bergman disse em uma entrevista "Foi baratíssimo e muito simples", mas na biografia critica de Peter Cowie, a origem de O Sétimo Selo é tratada de modo a aparecer um pouco menos simples. Cowie diz que a peça original é um ato para dez estudantes, entre eles Gunnar Bjornstrand, e foi levada a cena pelo próprio Bergman em 1955. Mas a encenação que arrebatou a critica ocorreu em setembro do mesmo ano quando um outro elenco, que contava com a presença de Bibi Anderson dessa vez, representou no Teatro Dramático Real de Estocolmo, sob a direção de Bengt Ekerot (ator e diretor renomado que interpretou a Morte em O Sétimo Selo). Apenas alguns elementos foram aproveitados no roteiro final do filme: o medo da peste, a queima da feiticeira, a Dança da Morte. Mas a partida de xadrez entre a Morte e o Cavaleiro não havia, e, nem existia o artístico-bufanesco "santo casal" Jof e Mia com seu bebê. Somente Jons, o Escudeiro, não sofreu mudanças. A parte técnica do filme “O Sétimo selo” é de extrema perfeição devido a grande experiência que Bergman tinha sobre cenário, atuação e fotografia.


Para a análise me apropriarei do pensamento da filosofia existencial. A proposta do existencialismo é a de entender como especulação filosófica que visa a análise minuciosa da experiência humana em todos os seus, mas acima de tudo dos aspectos irracionais da existência humana. Encontramos as origens do Existencialismo em Sören Aabye Kierkegaard (Copenhague, 5 de Maio de 1813 — Copenhague, 11 de Novembro de 1855). Foi de grande importância para o filósofo Heidegger (Meßkirch, 26 de Setembro de 1889 — Friburgo, 26 de Maio de 1976). Esta linha filosófica é de grande utilidade para decifrar os aspectos filosóficos do filme de Bergeman.


A história é simples. Um Cavaleiro e seu Escudeiro voltam das Cruzadas. O país está assolado pela peste. Eles se encontram com a Morte e o Cavaleiro faz um trato com ela: enquanto conseguir contê-la numa partida de xadrez, sua vida será poupada. Na viagem pela terra natal, encontram artistas, fanáticos, ladrões, patifes, mas por toda parte a presença da Morte, empenhada em ganhar o jogo por meios lícitos e ilícitos. A cena de abertura dá o tom: antes de qualquer imagem a música começa solene Dies Irae ("Dia da Ira" é um famoso hino, em latim, do século XIII. Pensa-se que foi escrito por Tomás de Celano). O passar das nuvens e a música dão o tom do drama bergmaniano.





Neste filme, o tema da existência (existenz) é preponderante, temos vários conceitos-imagem para ser trabalhado nesta belíssima obra filosófica que discute a angústia, o desespero e a a sua finitude. No filme, a morte está sempre presente, tentando seduzir o cavaleiro, como se ela fizesse parte da própria angustia do cavaleiro. Ela é a lembrança da mortalidade, da temporalidade e inconstância das coisas. Há uma grande batalha entre o cavaleiro e a morte, esta batalha está representada no jogo da xadrez a imagem mais importante do filme.


Ao fundo, temos como cenário o mar, o mar simboliza esta temporalidade, há uma dialética existencial por trás das ondas. Diante da sua própria condição o cavaleiro se encontra no paradigma da angústia O com que a angústia se angustia não é nenhum ente intramundano.





Na angústia, diz-nos Heidegger, acompanhando Kierkegaard, o que nos ameaça não está em parte alguma. Não estando em parte alguma, a ameaça entretém relação com algo que não é intramundano” [...] É afinal o Dasein mesmo que nos angustia, porque já sem a proteção do cotidiano, revelando-se, então, nesse sentimento; o poder-ser livre, a possibilidade de escolha [...] (NUNES, 2004, p.19).







Ela se angustia com o ser no mundo, ou seja, inserido com e no mundo, que é algo completamente indeterminado. Para a angústia, o que ameaça não se encontra em lugar algum. “Lugar algum” diz respeito à abertura de mundo, e mundo é o que se abre e se encontra sempre presente, mas em lugar algum, é o nada. Esta é a grande luta que o homem trava consigo mesmo, diante do mundo, que aparece caótico, ele se depara com sua própria existência e sua condição de mortalidade. Para Heidgger, a angústia encontra-se diante de duas percepções do não-ser: o antes do nascer e o depois de morrer. Bem diversa do medo comum e da ansiedade neurótica, a angústia existencial não degrada o homem. Antes, exalta-o, enobrece-o, porque decorre de sua consciência de estar-no-mundo e de sua liberdade de poder-ser, ou deixar-de-ser.


Enquanto possibilidade de ser da pre-sença(*), a angústia, junto com a própria pre-sença que nela se abre, oferece o solo fenomenal para a apreensão explícita da totalidade originária da pre-sença. Esse ser desentranha-se como cura (HEIDEGGER, 1988, p. 245).




Ela é a voz, que emerge de sua consciência moral, para recordar-lhe, retrospectivamente, a culpa, e prospectivamente, a morte, esse grande mistério jamais decifrado, diante do qual impõe-se a responsabilidade da realização de seus projetos, livremente escolhidos.
Ou seja, o filme pode ser entendido como a jornada do homem como um lançado no mundo, diante de sua condição humana é o ser diante do tempo. Quando o homem toma consciência dessa existência ele pode tomar sua própria vida e sua liberdade, na verdade o homem quando nasce já se torna um ser para a morte, um ser para a totalidade, portanto, para sua finitude.

MATERIAL COMPLEMENTAR
(CLIQUE PARA ACESSAR)

O SÉTIMO SELO DE BERGMAN E O ESTRANGEIRO DE CAMUS: OS MATIZES DA FINITUDE.





___________________________________
*Pre-sença é tradução brasileira para Dasein.


HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Parte II. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Coleção Pensamento Humano, Petrópolis: Vozes, 1989, 340p.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Parte I. Tradução de Márcia de Sá Cavalcante. Coleção pensamento Humano, Petrópolis: Vozes, 1988, 328p.
Kierkegaard, Soren. O conceito de angústia. Tradução de Eduardo Nunes Fonseca e Torrieri Guimarães. Hemos, 2007.

Filmografia:
Det Sjunde Inseglet O Sétimo Selo. Ingmar Bergman. Suécia.1956. 96 minutos.

domingo, 3 de abril de 2011

Documentário - Senna






CONTEÚDO DIDÁTICO: ED. FÍSICA - CORRIDA, MOTIVAÇÃO.

Dados do Arquivo:
País de Origem:  Reino Unido
Gênero: Biografia, Documentário.
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento:  2010
Formato: AVI
Qualidade: DVD Rip
Áudio: Inglês e Português
Legenda: Português
Direção: Asif Kapadia
Elenco
 Alain Prost, Frank Williams, Ron Dennis, Viviane Senna.

Sinopse:
Junho de 1984, GP de Mônaco de Fórmula 1. Seis atuais ou futuros campeões mundiais estavam na pista, mas as atenções ficaram voltadas para um jovem que largara em 13º lugar e estava apenas em sua sexta corrida. Ultrapassando um a um, ele alcançou seu primeiro pódio e apenas não venceu devido a uma questão técnica. Seu nome era Ayrton Senna. A trajetória do tricampeão mundial, contada desde a ascensão no automobilismo até sua morte em pleno GP de San Marino, em 1994, passando pela rivalidade com Alain Prost e os problemas enfrentados nos bastidores da Fórmula 1.

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